Mercado imobiliário no 1º semestre de 2026: crédito em alta, juros caindo e preços estáveis no RS
Por Fernanda Ladvig Ell ·
Metade do ano já passou e os números do mercado imobiliário mostram um cenário bem diferente do de 2025. Fiz um resumo do semestre e do que ele significa para quem pensa em comprar.
Crédito imobiliário cresce 23%
Segundo a Abecip, os financiamentos imobiliários somaram R$ 180,9 bilhões no 1º semestre, alta de 23% sobre o mesmo período de 2025. Foram mais de 680 mil imóveis financiados, somando poupança (SBPE), FGTS e outros recursos.
O financiamento com recursos da poupança, que tinha encolhido em 2025, voltou a crescer: R$ 93,7 bilhões, alta de 29%. É o efeito do novo modelo de crédito anunciado em outubro, que liberou mais dinheiro para habitação.
Selic em queda, mas com cautela
Em 17 de junho, o Banco Central cortou a Selic pela terceira vez seguida, para 14,25% ao ano. A inflação ainda preocupa, e o mercado projeta IPCA acima do teto da meta em 2026. Por isso os cortes são pequenos, de 0,25 ponto.
Para quem financia, a queda chega aos poucos. O Minha Casa Minha Vida, que tem juros definidos pelo programa, continua sendo a opção mais barata para quem se enquadra: renda familiar de até R$ 13 mil desde as regras de abril.
Minha Casa Minha Vida: metade das vendas do país
- No 1º trimestre, o programa respondeu por 49% das vendas de imóveis novos no Brasil, segundo a CBIC: mais de 54 mil unidades.
- O estoque de imóveis do programa dura cerca de 7,6 meses no ritmo atual de vendas.
- Em junho, o governo reforçou o orçamento do programa com R$ 20 bilhões em crédito suplementar, vindos principalmente do superávit do Fundo Social.
Um dado curioso: no Sul, o Minha Casa Minha Vida representa só 17% da oferta de imóveis novos, a menor fatia entre as regiões. Ou seja, aqui há menos opções dentro do programa, e os bons imóveis nessa faixa de preço tendem a ser vendidos rápido.
Preços: Brasil sobe, Porto Alegre fica estável
O índice FipeZap mostrou alta de 2,42% no semestre no preço de venda dos imóveis no Brasil, abaixo da inflação do período (3,62%). Em 12 meses, a alta foi de 5,59%.
Porto Alegre foi destaque ao contrário: -0,11% no semestre e +2,43% em 12 meses, a menor valorização entre as capitais pesquisadas. Na capital, o estoque de imóveis à venda chegou a 5.862 unidades em maio, o maior da série do Sinduscon-RS, embora as vendas tenham reagido no mês.
O que isso significa para quem compra no Vale do Sinos
Preços estáveis na região metropolitana, estoque alto e crédito mais disponível formam um cenário favorável para o comprador:
- Mais poder de negociação: com mais oferta, há espaço para conversar sobre preço e condições, principalmente em imóveis prontos.
- Crédito mais fácil: a Caixa financia até 80% no SBPE e o Minha Casa Minha Vida tem faixas e tetos maiores desde abril.
- Juros em tendência de queda: quem compra agora pelo programa garante as taxas atuais, que já são bem menores que as do mercado.
O que não muda: cada caso é um caso. A melhor decisão vem de uma simulação com os seus números e de escolher o imóvel certo, sem perder tempo com visitas que não fazem sentido para você.
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Fontes
- Mais de 680 mil imóveis foram financiados no primeiro semestre de 2026, afirma Abecip (Jornal do Comércio, 28/07/2026)
- Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano (Agência Brasil, 17/06/2026)
- Minha Casa Minha Vida foi responsável por quase metade das vendas no 1º trimestre (CBIC)
- Suplementação de R$ 20 bilhões para o Minha Casa Minha Vida (CBIC, 23/06/2026)
- Imóveis de um dormitório têm maior valorização anual (InfoMoney, 01/07/2026)
- Mercado imobiliário de Porto Alegre mostra recuperação em maio (CBIC/Sinduscon-RS, 09/07/2026)
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