Minha Casa Minha Vida agora atende renda de até R$ 12 mil: como funciona a nova Faixa 4
Por Fernanda Ladvig Ell ·
O Minha Casa Minha Vida ficou maior. Desde 5 de maio, a Caixa contrata a nova Faixa 4, pensada para a classe média: famílias com renda de até R$ 12 mil que até agora ficavam sem programa nenhum e dependiam dos juros de mercado.
E isso acontece justamente quando o crédito está mais caro: em 18 de junho, o Banco Central subiu a Selic para 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
As novas faixas de renda
Em abril, o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação do programa. As faixas de renda familiar mensal passaram a ser:
- Faixa 1: até R$ 2.850 (antes R$ 2.640);
- Faixa 2: até R$ 4.700 (antes R$ 4.400);
- Faixa 3: até R$ 8.600 (antes R$ 8.000), com imóvel de até R$ 350 mil;
- Faixa 4 (nova): acima da Faixa 3, até R$ 12.000.
Muita família que estava "estourando" o limite por pouco agora volta a se enquadrar nas faixas com juros menores. Vale refazer a simulação.
Como funciona a Faixa 4
- Imóvel de até R$ 500 mil, novo ou usado.
- Juros de 10% ao ano.
- Prazo de até 420 meses (35 anos).
- Sem subsídio: o benefício está nos juros menores, não em desconto no valor do imóvel.
- Primeiro imóvel: quem já tem imóvel ou financiamento habitacional ativo não pode usar.
- Quanto financia: até 80% do imóvel novo. No imóvel usado, nas regiões Sul e Sudeste, o limite é 60%.
O governo reservou R$ 30 bilhões para a Faixa 4 em 2025, com a meta de atender cerca de 120 mil famílias.
Atenção: imóvel usado aqui no Sul
Esse é o ponto que mais pesa para quem compra no Vale do Sinos. Como o financiamento do usado fica em 60%, a entrada precisa cobrir os outros 40%, contando FGTS e recursos próprios. Num usado de R$ 400 mil, são R$ 160 mil de entrada.
Já no imóvel novo a conta muda bastante: com 80% financiados, a entrada no mesmo valor cai para R$ 80 mil. Por isso, para muitas famílias da Faixa 4, imóvel novo pronto acaba sendo o caminho mais viável.
Vale a pena?
Compare com o mercado: fora do programa, os juros de financiamento estão entre 11,5% e 12% ao ano mais TR. Nos 35 anos de contrato, a diferença de 10% para 12% ao ano representa muito dinheiro.
Na Faixa 3, a vantagem é ainda maior: juros de 8,16% ao ano, ou 7,66% para quem tem conta no FGTS, em imóveis de até R$ 350 mil.
Como começar
- Some a renda bruta da família (salários, pró-labore e outras rendas comprovadas).
- Veja em qual faixa você se encaixa e quanto pode financiar.
- Separe a entrada: saldo do FGTS, reservas e, nas Faixas 1 e 2, o possível subsídio.
- Escolha o imóvel já sabendo o valor aprovado. Assim, você visita só o que realmente cabe no bolso.
Com juros em 15%, a tendência é que as condições fora do programa fiquem ainda mais caras. Se você está na faixa de renda certa, este é um bom momento para colocar os números no papel. Fale comigo e eu faço a simulação com você.
Fontes
- Entenda a ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (Agência Brasil, 18/04/2025)
- Caixa começa a oferecer Minha Casa Minha Vida para a classe média (Agência Brasil, 05/05/2025)
- Minha Casa Minha Vida Classe Média (Ministério das Cidades)
- Copom de junho de 2025: Selic vai a 15% (CNN Brasil, 18/06/2025)
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